Os nossos pais sempre nos fizeram acreditar em finais felizes, em familias perfeitas e castelos encantados. Até atingirmos certa idade, talvez a adolescência, acreditamos nisso. Pois desde sempre os nossos verdadeiros super herois, não foram o superman nem o batman, mas sim a mãmã e o papá. Quando descobrimos que nada, ou parte, daquilo em que durante tanto tempo acreditamos é mentira, é talvez o fim do mundo. Chegam então as minis depressões, os mundos que desabam sobre nós, as discussões, o negativismo, a falta de vontade de continuar. Mas tudo isto se vai com a rapidez de um pôr do sol. Para alguns, crescer mais depressa é uma obrigação, uma necessidade, uma vontade. Quando aqueles que mais amamos estão constantemente em conflito, sentimos necessidade de crescer mentalmente para que ao menos consigamos perceber por nós mesmos o que está errado. É precisamente ai que as perguntas começam a chover, a chover como granizo: séra que fiz algo errado? ou sera que fiz com que eles fizessem algo errado? vou ter que me habituar a viver com isto para sempre? como nos filmes? Feliz ou infelizmente, a idade que escolheram para me modificar o quotidiano foram os seis anos. Talvez por ser a idade em que as crianças compreendem melhor, ou a idade em que acreditam em tudo. Ou não. É a partir desse momento que a nossa vida começa a cruzar com outras vidas, iguais ou diferentes. Não importa. Conhecemos pessoas incriveis, capazes de nos mudar apenas com um olhar, apenas com um gesto. Pessoas que temos a certeza de que vão ser um sempre. Um deja vu e uma nova tempestade de perguntas. Questionamos-nos se o papel destas personagens na nossa vida inclui ou não a separação. Pensamos um pouco e chegamos a uma conclusão, a mais obvia, a mais profunda conclusão: se essa triste parte faz parte do filme, não importa. Pois a única certeza que temos é que as raizes do nossa coração estão estrelaçadas demais para nos separarmos, e isso já ninguém muda. Nínguem mesmo. Por mais forte que seja. Juntos ou separados, vamos ser sempre pilares uns dos outros. Não uns pilares quaisquer, mas sim pilares de diamantes, para que tenhamos a qualidade de nos mantermos sempre firmes e ao mesmo tempo brilharmos em qualquer circunstância. Quer faça chuva ou sol. Por isso, os finais felizes até podem não existir, mas não são os finais tristes que vão condicionar a nossa vida. Quer a maré esteja cheia ou não, quer as gaivotas voem ou fiquem em terra, uma coisa é certa: os nossos verdadeiros heróis são aqueles que nunca nos abandonam e que temos a certeza de que nunca nos vão abandonar. São a nossa familia, os nossos amigos. Mas apenas os verdadeiros.

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